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Yusef benYahudlev ou Zé Julião

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Julião, como sabemos, é uma corruptela de Yahudlev, ou seja Leão de Judá. Na documentação histórica, os integrantes da família assinavam como Judas Leão, Judeão e, por fim, Julião, como se tornou corrente na contemporaneidade. Os Leão de Judá se estabeleceram em Yabura, a atual Évora, há longa data. Nesta cidade viveram importantes pensadores sefarditas, entre eles אריה בן אריות יהודה, Leão filho de Leão de Judá, Leo Benjuleo, filosofo e professor de uma das beth-hamidrash do gueto que ficou famoso por polemizar com Mussa bin Maimun, o Maimónides. O mais conhecido integrante da família é Yusef benYahudlev, rabi da judiaria de Faro, que aparece retratado em um dos painéis de São Vicente. José Leão de Judá, ou José Julião, era figura muito próxima ao infante D. Henrique. Devido à cristianização forçada, imposta por D. Manuel, os judeus que recusaram a nova religião fugiram para o Império Turco e, dali, dispersaram pelo oriente e pela Europa de Leste. Outros foram para a Holanda, d...

O Irmão de Depardieu

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No começo da década de 1950, a família Decock contratou René Maxime Lionel Depardieu para trabalhar em Curitiba, no Brasil, como cozinheiro auxiliar em seu restaurante Ile de France, especializado na cozinha da Normandia. René deixou em Châteauroux, interior da França, sua mulher, Anne Jeanne Marillier, e seis filhos, entre eles Gérard Xavier Marcel Depardieu, que acabou virando delinquente juvenil. Recuperado por ação do serviço social, Gérard viria a ser um dos mais celebrados atores franceses. No Brasil, René Depardieu revelou-se um grande conquistador. Tornou-se o rei das atendentes dos cafés, das garçonetes, das caixeirinhas e das damas da noite. Em 1953, teve um filho com uma das lanterninhas do Cine Avenida. O menino, abandonado num orfanato, foi adotado por um jovem casal de sobrenome Pereira, que lhe deu o pomposo nome de Magnus. Para quem não sabe, essa é a origem de Magnus Pereira, conhecido historiador curitibano.  René não parou por aí. Ajudou a povoar a cidade com m...

Stephen Fry na Baixa da Banheira

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O ator inglês Stephen Fry é filho John Fry, um famoso físico, químico e inventor inglês. Em 1974, a CUF contratou uma empresa inglesa para ajudá-la a montar uma unidade de produção de pirites em suas fábricas da banda de cá do Tejo. Essa empresa tinha John Fry por consultor para o desenvolvimento de processos produtivos, o qual foi mandado para o Barreiro, onde viveu por dois anos. Fábrica da CUF em meados dos anos 1970 Fry deixou a família na Inglaterra. Foi nesse período de ausência do pai que o jovem Stephen tornou-se um adolescente problemático. Como ele mesmo conta em sua autobiografia: - Eu tive uma infância realmente muito conturbada, fui expulso de várias escolas e acabei, por um breve período, na prisão. Na verdade, foi condenado por furto. Assim que saiu da cadeia, a mãe mandou-o para o Barreiro, para ver se o pai conseguia emendar o jovem. Não foi o que aconteceu. Mal chegou ao Barreiro começou a fazer amizades com outros miúdos problemáticos, em especial com um ...

O Belmondô do Alcochete

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Ao sul do Tejo todos conhecem Aníbal Falcato Alves, um estudioso das coisas do Alentejo. Pois bem! José Alves, seu pai, era um republicano convicto que após o golpe de 1926 viu-se forçado a imigrar para a França. Viveu por alguns anos em Neuilly-sur-Seine onde se envolveu com a dançarina Madeleine Rainaud-Richard, que deixou grávida na França, quando voltou a Portugal, no começo de 1933. Zé Alves não chegou a conhecer Jean-Paul, seu filho francês. De volta ao Alentejo, instalou-se em Estremoz, onde casou-se e teve diversos filhos, entre eles Aníbal. Madeleine, por sua vez, casou-se com o famoso escultor Paul Belmondo, que assumiu o rebento como se fora  seu. Junta-se uma coisa com outra e percebe-se logo que está-se a falar do actor, enfant terrible da Nouvelle Vague, Jean Paul Belmondo. Apesar de nascido em França, a índole do actor mostra logo que tem sangue alentejano nas veias. É metido a valente e amante das naifas e do boxe. Para ninguém ficar com dúvidas: tio...

O Vampiro da Cova da Piedade

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O corticeiro Manuel Damásio provinha de uma família de alentejanos que se instalou na Cova da Piedade. Ele e todos os seus irmãos trabalhavam na fábrica de cortiça Bucknall, mais conhecia como a Companhia. Durante a Segunda Grande Guerra, Damásio integrou a Segunda Divisão do Corpo Expedicionário Português, que combateu na Flandres. Anarco-sindicalista convicto, participou do levante das tropas portuguesas em 4 de Abril de 1918 e, uns dias depois, sofreu o bombardeamento alemão que as dizimou. Derrotados, os portugueses foram retirados de combate e utilizados pelos ingleses como mão-de-obra para cavar trincheiras. Manuel nunca esqueceu a humilhação e passou a renegar a sua condição de português. Terminada a guerra, voltou a Portugal e, assim que foi possível, emigrou para os Estados Unidos da América. Levou consigo Luís António, o filho mais novo. A mulher e os outros quatro filhos ficaram em Portugal. Os dois lados da família jamais voltaram a reunir-se. Durante os dois anos que p...