O Belmondô do Alcochete


Ao sul do Tejo todos conhecem Aníbal Falcato Alves, um estudioso das coisas do Alentejo. Pois bem! José Alves, seu pai, era um republicano convicto que após o golpe de 1926 viu-se forçado a imigrar para a França. Viveu por alguns anos em Neuilly-sur-Seine onde se envolveu com a dançarina Madeleine Rainaud-Richard, que deixou grávida na França, quando voltou a Portugal, no começo de 1933. Zé Alves não chegou a conhecer Jean-Paul, seu filho francês. De volta ao Alentejo, instalou-se em Estremoz, onde casou-se e teve diversos filhos, entre eles Aníbal. Madeleine, por sua vez, casou-se com o famoso escultor Paul Belmondo, que assumiu o rebento como se fora  seu. Junta-se uma coisa com outra e percebe-se logo que está-se a falar do actor, enfant terrible da Nouvelle Vague, Jean Paul Belmondo. Apesar de nascido em França, a índole do actor mostra logo que tem sangue alentejano nas veias. É metido a valente e amante das naifas e do boxe.

Para ninguém ficar com dúvidas: tio e sobrinho


















A ligação dos Alves com o cinema não acaba aí. O parentesco com Belmondo era um segredo muito bem guardado na família. No entanto, o menino Rui, filho de Aníbal, foi sempre fascinado por essa história de que era sobrinho do actor francês. Desde miúdo, Rui Alves imaginou-se um Delon, um Belmondo, um Godard, um Truffaut. Queria ser actor-diretor. Estar no comando da cena e poder dar umas apalpadelas na Deneuve ou na Adjani. Todavia, sua carreira no cinema não seguiu nesta direcção. Tornou-se um daqueles profissionais que trabalham na área criativa da producção cinematográfica, e do teatro também: meio cenógrafo, meio figurinista, meio criador de “efeitos especiais”. Esse é o nosso Rui, com mais de duas dezenas de filmes às costas. As filhas seguem-lhe a trilha. Rui é da Margem Sul, sisinhôra! É o nosso Belmondô do Alcochete.

Falcatos Alves a fazer caretas

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